Análises

Canções da Final Nacional da Geórgia 2017

Final acontece no dia 20 de janeiro

19 de janeiro de 2017 - por Fabiana Silva
19 01 2017

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Giorgi Chikovani – Make it Right

“Make it right” é uma surpresa mais do que agradável nesta seletiva georgiana. É uma balada rock com certa influência dos anos 80 e 90, na qual se destaca o refrão. Giorgi tem uma voz muito bonita, que cai como uma luva no estilo do tema; ele é muito consistente ao vivo, conseguindo demonstrar a emoção e a potência que a proposta precisa. Geórgia é um país imprevisível e não me espantaria que Giorgi fosse o representante do país, ainda que ele não apareça como favorito em nenhum lugar. Nota: 8,5/10


Brandon Stone & Eteri Beriashvili – Heyo Song

Podemos descrever “Heyo Song” como clichezinho saído da primeira metade dos anos 90 – um tanto sem chance de vitória, mas que deve passar com certa dignidade pelo show ao vivo por causa de seus intérpretes. Brandon não é um nome tão desconhecido – ele é o compositor de “Love is blind” (Lituânia 2012); já Eteri esteve na seletiva georgiana de 2015. É um conjunto com experiência e com química, mas que peca pela repetitividade e pela falta de competitividade da proposta apresentada. Nota: 3,5/10


Rati Durglishvili – Why

Rati é um dos nomes mais conhecidos da seletiva da Geórgia, portanto se esperava que ele fosse um forte concorrente à representar o país em Kiev. O problema é que a escolha da canção foi totalmente equivocada. “Why” é apenas mais uma balada pop, totalmente previsível e esquecível. Ele é, de fato, um cantor desse estilo, porém ele deveria ter feito algo mais próximo de “Paper Boat”, com uma batida mais demarcada e uns solos de violão acústico. Da forma como está, não passa de filler de trilha sonora de novela da Globo. Nota: 4,75/10


Andria Gvelesiani – Revolutionise

Infelizmente, “Revolutionise” não tem nada de revolução, é apenas um desperdício de talento. Andria é um cantor maravilhoso e provou isso durante o X-Factor Ucrânia, com sua performance de “You Raise Me Up”; agora ele encara a seletiva da Geórgia com uma balada pop-rock que grita ‘revamp’ – ela precisa de mais destaque para o quarteto de cordas, uma guitarra mais potente, uma crescente acentuada no último minuto. Pelo menos podemos ter a certeza de um ao vivo bem feito, agradável aos ouvidos. Nota: 3,75/10


Alisa Danelia – We Are Eternity

Alisa tem uma música que poderia ter um bom resultado em qualquer final nacional, mas que não é memorável o suficiente para vencer. O início tem uma mágica criada pela suavidade do piano e pela forma como um instrumento de cordas entra com o primeiro refrão; já o desenvolvimento após o segundo verso fica um pouco abaixo do esperado, tornando o conjunto apenas mais uma balada pop corriqueira. A cantora, que representou a Geórgia na última edição do New Wave, mostrou que é bastante expressiva e que canta com convicção, e assim deve ser durante a final. Nota: 7/10


Nutsa Buzaladze – White Horses Run

Uma coisa que praticamente podemos ter certeza em relação a “White Horses Run” – a performance de Nutsa será impecável. A cantora tem um poderio vocal impressionante, além de ser carismática e de saber lidar com as câmeras. A proposta tem uma boa introdução e uma boa crescente no refrão, contudo ela traz pouca novidade após o primeiro refrão, uma vez que, quando a canção deveria explodir, após a ponte, ela segue a mesma linha melódica das outras duas entradas de refrão. Ainda assim, o conjunto poderia funcionar muito bem no palco em Kiev. Nota: 8,5/10


Maliibu – We Live Once

“We Live Once” tem uma vibe “Lovewave” de baixa renda, com essa introdução falada, meio misteriosa. Não parece a proposta mais profissional, porém há muito espaço para melhoras, uma vez que a estrutura do tema é atual e jovem. O refrão é a parte com mais força, sendo deveras memorável. O timbre mais grave de Maliibu também é memorável e combina perfeitamente com o estilo. Dá para imaginar uma performance mais sombria, com gelo seco pelo palco e com a câmera rodeando a intérprete. Nota: 8/10


EOS – Urban Signs

“Urban Sign” é uma boa canção rock, desde que o microfone do vocalista seja colocado no mudo! Além do vocal, há alguns pontos que poderiam ser ajustados, como dar mais força ao refrão final e criar pequenas variações na melodia, tornando-a menos previsível. De qualquer forma, pelo visual dos membros do grupo e pelo vocal já deficiente na versão em estúdio, as chances da banda EOS são praticamente zeradas – ainda que saibamos que a Geórgia adora uma surpresa. Nota: 4/10


Dima Kobeshavidze – Scream

Apesar de não ter lá muitas chances, Dima é uma surpresa deveras agradável na seletiva da Geórgia. Ele tem uma voz bonita, com uma pegada r&b americana, além de conseguir acertar uns falsetes impressionantes. Contudo, o cantor é superior ao tema que interpretará – não que “Scream” seja ruim, porém há pouquíssima diferença na melodia entre as diferentes partes da música, o que faz com que o ouvinte não preste tanta atenção no que está acontecendo. Ao vivo, no entanto, Dima deve mudar um pouco isso, uma vez que ele tem presença de palco. Nota: 6,75/10


Mandili – Me da Shen

Folk em georgiano – queremos! É a canção mais diferente, eurovisivamente falando – já que a única vez que ouvimos esse idioma na competição adulta foi em 2012, porém foi apenas na introdução. Por que não tentar, afinal é um idioma que já venceu três vezes o Junior Eurovision. A batida é cativante, as vozes estão em harmonia e o estilo permite uma performance animada e divertida. O refrão, por sua vez, é a grande decepção de “Me da Shen” – faltou força ali; o final também é um pouco abrupto. Nota: 8,75/10


Tako Gachechiladze – Keep the Faith

Tako quase representou a Geórgia em 2009, quando fazia parte do grupo 3G, e acredito que, pelo menos na temporada 2017, 2009 continuará sendo o mais próximo que ela chegará do festival. Ela é uma cantora muito talentosa, mas seu tema é antiquado para os padrões atuais do Eurovision. “Keep the faith” tem um início misterioso e a voz da intérprete vai crescendo junto com a melodia. É uma coisa meio James Bond de baixa renda, principalmente por causa de sua estrutura e pela forma como o quarteto de cordas foi usado. Nota: 6/10


Nino Basharuli – Lileo

Mais uma canção folk na seletiva georgiana, essa seguindo uma linha mais Enya. Admito que demorei um tempo para perceber que Nino estava cantando os versos em inglês, já que sua pronuncia deixa bastante a desejar; a produção geral do tema também não é das mais fortes, não explorando todo o potencial da melodia. Um revamp ressaltando os instrumentos de sopro e de corda poderiam deixaria “Lileo” muito mais competitiva, talvez até para brigar por um top-5 na final nacional. Nota: 6/10


Elene Mikiashvili – Fighter

Não sei se essa canção ainda irá competir, mas ainda irei analisá-la em respeito à Elene, que não tem culpa de nada nesta situação. Apesar de não ser das mais originais, “Fighter” é bem produzida, aparenta ser profissional, bem acabada. O início é bem interessante, mas a coisa se perde no decorrer da melodia, que acaba seguindo mais a linha eletrônica do que a retrô (uma coisa mais Meghan Trainor funcionaria melhor). Elene tem uma voz incrível e gostaria de vê-la voltando a tentar representar a Geórgia, porém com algo um pouco mais potente, que possa demonstrar sua força vocal. Nota: 6/10


MISHO – Magic

“Magic” é uma grande mistura de canções eurovisivas: tem um pouco de “It’s my life” (Romênia 2013), de “I’m a joker” (Geórgia 2012), de “Jestem” (Polônia 2011)… A parte lírica é totalmente dispensável, ainda que o cantor consiga executá-la ao vivo – e consegue. Misho é o que há de melhor nessa proposta, sendo um intérprete que deixa tudo no palco, que não tem medo de ousar e de chamar a atenção. Com certeza, lembraremos de sua performance por um bom tempo, mas talvez jamais nos lembraremos da canção. Nota: 5/10


Mariko Lejava – Light it Up

Em uma final nacional para o Eurovision, a jogada mais segura é apostar por um electropop dançante – não que esse tipo de música vença, porque já foi provado que geralmente elas não se dão tão bem nos resultados, mas elas ficam na memória dos fãs e nas pistas de dança. “Light it up” tem um problema sério: a introdução parece nos guiar para um electropop com cara do verão, mas ela nos leva para uma batidinha meio fraca, com base no violão; a verdadeira quebra eletrônica acaba sendo meio sombria, não combinando com a ideia do conjunto. A estrutura deveria ser toda repensada, trabalhando apenas em cima de algumas partes (introdução e refrão). Nota: 5,25/10


The Mins – Crime

É, de fato, o melhor rock da noite. E ai vem a pergunta: a Geórgia apostaria por rock duas vezes seguidas? E resposta é praticamente um não. Por algum motivo, a dinâmica de “Crime” me lembrou instantaneamente o rock do início dos anos 2000 (Linkin Park, Limp Bizket). A produção é muito bem feita e, a partir do 1:40, a música ganha ainda mais potência, chegando a um final épico. Agora, quero muito ver como isso será desenvolvido ao vivo, se eles terão toda essa força durante a seletiva ou se serão a decepção da noite. Nota: 9/10


Sparkle – On The Top

Girlband cantando música eletrônica – poderia ser mais ‘uma certa final nacional nórdica de Eurovision’ que isso? Quantas vezes não vimos canções como “On The Top” no Melodifestivalen? As meninas podem até ser boas, ter química no palco, mas a falta de originalidade de sua canção é um empecilho, ainda mais em se tratando de um país que sempre busca algo mais alternativo ou mais grandioso. A parte rap é totalmente dispensável, uma vez que ela não conseguiu desempenhar seu papel de deixar o conjunto menos genérico. Pelo menos a produção é aceitável. Nota: 5/10


Tornike Kipiani & Giorgi Bolotashvili – You Are My Sunshine

Repetitivo é o mínimo que podemos falar de “You Are My Sunshine”. Nem tem muito o que falar, já que o instrumental parece trilha sonora de videogame antigo e a única letra é ‘you are my sunshiiiiiiiiine’. Música sem letra não funcionam no Eurovision, nem que o instrumental seja totalmente épico (eu ouvi Eslovênia 2009?). Em resumo – É inusitado? Sim! É chocante? Sim! Tem alguma chance? Nenhuma! PS: Tornike, volte ano que vem com algo assim! Nota: 2,5/10


Temo Sajaia – All The Same

“All The Same” tem um começo bonitinho, mas então temos o refrão (um pouco precipitado, aos 30 e poucos segundos) e percebemos que a coisa não vai para lugar nenhum. É uma balada pop midtempo genérica, semelhante a muitas outras que já ouvimos por aí; além do mais, a produção é um tanto precária, como se tivesse sido gravada com um equipamento caseiro. Temo sabe como se comportar no palco, entretanto, seu vocal é apenas aceitável (afinado, mas não tão convincente). Nota: 4,5/10


Sabina Chantouria – Stranger

“Stranger” um pop radiofônico agradável, porém datado. A construção em si é bastante sueca, com duas repetições do bloco versos-refrão, uma quebra de ritmo brusca e retomada para o refrão final. Apesar de ser uma canção bem produzida e comercial, ela peca por não ser marcante o suficiente para o Eurovision. Sabina tem uma voz mais suave e delicada, aparentemente com potência limitada, então ele não consegue dar ao refrão a força que ele precisa. Nota: 6,25/10


Mariam Chachkhiani – Fly

Mariam não tem tantos views no Youtube como outros artistas, não foi tão comentada nas redes sociais… mas eu não me surpreenderia com uma vitória. A música é comercial e contemporânea, só que não venceria sozinha – precisamos de um vocal preciso (pelos vídeos de Mariam no The Voice, não teremos problema), muito carisma e uma performance correta e elegante no palco. O refrão, de certa forma, tem seu charme e demonstra o potencial vocal da intérprete, mas não há nenhuma mudança melódica significativa, algo que poderia deixar “Fly” com mais chances. Nota: 7,5/10


Asea Sool – Nature

“Nature” é uma das queridinhas de alguns fãs e é possível entender o motivo. Ela é uma balada eletro-indie-alternativa, deveras original, mas que talvez seja alternativa demais para a maioria dos fãs do Eurovision. Somos completamente a favor dessa diversidade e, em se tratando de Geórgia, eles sabem variar estilos no Eurovision, já tendo passado pelo folk, ethno-pop, powerballad, rock. A dupla Asea Sool é visualmente divertida e sabe chamar a atenção, e a vocalista ainda tem um vocal consistente. Nota: 6,5/10


Nanuka Giorgobiani – Let The Sunshine In

Estou tentando entender “Let The Sunshine In” – começamos com um disco, bem anos 70; depois temos um corte para uma parte lírica a capella em um idioma que não consegui detectar; então voltamos para o disco. Além do instrumental ser um pouco sem vida, essa construção caótica não trouxe nenhum benefício, uma vez que parece que estamos mudando de rádio, tentando escolher uma estação. A grande quantidade de falsetes também não está funcionando, está mais do que exagerado. Nota: 2,5/10


Oto Nemsadze & Group Limbo – Dear God

“Dear God” também é mais uma canção rock aceitável, mas que não se destaca o suficiente para lutar por uma posição na parte de cima da tabela. Mesmo o vocalista sendo melhor do que o da concorrentes EOS, ele parece não ter tanta pegada roqueira e sua energia só aparece no último minuto de música, um pouco tarde demais. Na final, deve ser totalmente ofuscada por “Crime”, do The Minus, que possui o pacote completo para os fãs do estilo e que tem uma produção um pouco mais profissional. Nota: 4,25/10


Davit Shanidze – Mtvris Katsi

Ao invés de cantar uma balada tão antiquada e genérica, o que custava Davit ter se inspirado pela vibe folclórica e ter mandado algo mais original, com instrumentos tradicionais de sopro e de corda? Ele tem voz para isso, sabe usar a técnica vocal adequada… “Mtvris Katsi” só não é totalmente esquecível porque é interpretada em georgiano, o que faz com que ela ganhe alguns poucos pontos. Nota: 3/10


Ranking final

  1. The Mins – Crime – 9/10
  2. Mandili – Me da Shen – 8,75/10
  3. Nutsa Buzaladze – White Horses Run – 8,5/10
  4. Giorgi Chikovani – Make it Right – 8,5/10
  5. Maliibu – We Live Once – 8/10
  6. Mariam Chachkhiani – Fly – 7,5/10
  7. Alisa Danelia – We Are Eternity – 7/10
  8. Dima Kobeshavidze – Scream – 6,75/10
  9. Asea Sool – Nature – 6,5/10
  10. Sabina Chantouria – Stranger – 6,25/10
  11. Nino Basharuli – Lileo – 6/10
  12. Elene Mikiashvili – Fighter – 6/10
  13. Tako Gachechiladze – Keep the Faith – 6/10
  14. Mariko Lejava – Light it Up – 5,25/10
  15. MISHO – Magic – 5/10
  16. Sparkle – On The Top – 5/10
  17. Rati Durglishvili – Why – 4,75/10
  18. Temo Sajaia – All The Same – 4,5/10
  19. Oto Nemsadze & Group Limbo – Dear God – 4,25/10
  20. EOS – Urban Signs – 4/10
  21. Andria Gvelesiani – Revolutionise – 3,75/10
  22. Brandon Stone & Eteri Beriashvili – Heyo Song – 3,5/10
  23. Davit Shanidze – Mtvris Katsi – 3/10
  24. Tornike Kipiani & Giorgi Bolotashvili – You Are My Sunshine – 2,5/10
  25. Nanuka Giorgobiani – Let The Sunshine In- 2,5/10

Quem pode vencer a seletiva da Geórgia de 2017?

Nutsa ou Mandili

Quem corre por fora para vencer o Eurofest 2017?

The Mins ou Asea Sool

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