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O que a vitória de Portugal no Eurovision diz sobre o futuro da competição?

A força dos 'pequenos'

22 de maio de 2017 - por Marcus Javarini
22 05 2017

O Eurovision acabou há pouco mais de uma semana e um fato histórico marcou esta edição: pela primeira vez após 49 participações, Portugal se sagrou campeão – algo que, para muitos, demoraria muito para acontecer.

Sabemos que o Eurovision é muito mais do que um concurso de música. Ele envolve política, jogos de interesses e até mesmo corrupção. A competição é como uma briga, na qual os mais fortes levam vantagem sobre os mais fracos. E Portugal é um desses ‘fracos’.

Durante a performance da vitória, Salvador Sobral brincou: “Já estava tudo comprado, na verdade”.

Não é preciso ir muito longe para perceber isso: é comum que países pequenos ou com poucos vizinhos se deem mal na competição, como é o caso do Chipre, que só tem a Grécia para lhe atribuir pontos ‘amigos’ (e eles sempre o fazem trocando descaradamente 12 pontos e sendo vaiados todas as vezes que aparecem no momento da votação), ou então Israel, que se aventura sozinho. Outro caso é San Marino, cercado pela sua única vizinha, Itália, que nunca dá bons pontos para a pequena nação.

Com Portugal não é diferente: o país tem apenas a Espanha para lhe conceder pontos amigos, mas, ainda assim, o país não os contempla com pontuações altas. Por outro lado, podemos ver os grandes blocos de países que trocam pontos entre si, como é o caso dos escandinavos, que todos os anos veneram sua ‘líder’ Suécia, ou os ex-soviéticos, tendo a Mãe Rússia como maior beneficiada. Note que os dois países supracitados têm históricos impecáveis: Suécia (3º, 1º, 5º, 5º) e Rússia (5º, 7º, 2º, 3º). E em meio a tanta politicagem, eis que Portugal, quase que literalmente surge das cinzas e vence o festival com recorde de pontos e de pontuações máximas recebidas dos outros países.

Após a competição, o representante da Bulgária, Kristian Kostov, chorou em cadeia nacional disse que sentiu que desapontou seu país. Este foi o melhor resultado da Bulgária na história da competição.

Com sua primeira vitoria, Portugal mostrou aos ‘pobres e necessitados’ que todos os concorrentes, sejam eles grandes ou pequenos, influentes ou não, com ou sem status, não precisam de elementos extras para obter uma boa posição, ou até mesmo vencer. Basta apenas levar para o palco uma boa proposta, sem pensar em fórmulas de sucesso.

Analisando bem os resultados finais do Eurovision 2017, podemos ver que ainda há esperança de se fazer um festival mais honesto. Além de Portugal, países igualmente menos favorecidos na competição tiveram seus minutos de glória. A Bulgária, que desde sempre despontou como uma das favoritas, foi muito longe ao atingir o segundo posto, apesar de não ser algo tão surpreendente, visto a forma impecável como a delegação búlgara vem trabalhando. Já a Moldávia terminou na terceira posição. Chega a soar estranho ler ‘Moldávia’ e ‘top-3’ na mesma frase, não?

A questão é que a vitória portuguesa abre espaço para que nações pequenas e desmotivadas possam se empenhar e, mais do que isso, acreditar que ainda existe uma possibilidade de competir de igual para igual com os gigantes, literalmente nadando contra a correnteza. Salvador Sobral não apenas subiu ao palco e cantou uma – majestosa – música, mas gritou para toda a Europa que é possível se destacar em meio a tantos empecilhos.


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