Análises

Canções do UMK 2017

Final acontece no dia 28 de janeiro

24 de janeiro de 2017 - por Fabiana Silva
24 01 2017

Alva – Arrows

A introdução de “Arrows” te faz imaginar uma coisa, que a canção se desenvolverá para um eletropop mais dançante; só que o refrão te leva para uma eletroballad midtempo, quebrando todo o clima anteriormente. Não é uma proposta ruim, porém poderia ter sido um pouco melhor construída, de forma que ela não só atendesse a expectativa, como a superasse, com uma batida um pouco mais dinâmica no refrão. Além disso, Alva tem apenas 16 anos e não sabemos como ela irá se comportar estreando em uma competição como o UMK, interpretando seu tema para milhares de pessoas em Espoo. PS: ela não consegue falar ‘arrows’ três vezes da mesma forma – o que ouvimos é ‘éurôus, évrous, érous’. Nota: 6/10


Anni Saikku – Reach out for the sun

“Reach out for the sun” tem um certo potencial, porém ela não consegue me envolver por completo. Há elementos muito bons, como a introdução no piano e a forma que os versos se desenvolvem, crescendo lentamente. O refrão tem certo potencial, mas ele não nos guia a uma explosão no instrumental, a algo que realmente chamasse a atenção. No final das contas, o arranjo como um todo é meio, digamos, morno e a canção se perde no meio das outras; é aquela que todos gostam, mas não o suficiente para que votem por ela. Agora, Anni tem um timbre muito suave e único e isso é uma das melhores coisas do conjunto; ela canta muito bem, porém não sabemos como ela irá reagir a um evento do tamanho do UMK, se ela conseguirá controlar os nervos. Nota: 7,5/10


Club La Persé – My little world

Sinceramente, me sinto assistindo a season finale de Ru Paul’s Drag Race quando ouço “My little world”, é o tipo de música que eles poderiam colocar como o single da temporada, com as finalistas fazendo o tradicional ‘lipsync for your life’. Não dá para entender como uma canção tão caricata ainda consegue se classificar para a final de uma seletiva. Enquanto o instrumental é repetitivo e nada original, o vocal é bem fraco, praticamente falado. Infelizmente, há uma chance de vitória para o Club La Persé, pois os finlandeses podem votar por eles pelo teor humorístico do conjunto e pela apresentação, que deve ser cheia de cores, luzes, brilhos… Nota: 2,5/10


Emma – Circle of light

“Circle of light” é uma das favoritas dos fãs, muito pelo fato de que ela consegue se destacar no meio das outras concorrentes. É, de fato, a que se fixa na cabeça com mais facilidade, a mais fácil de se cantarolar dentre as dez finalistas. Há uma certa influência de “Hear them calling”, contudo a melodia é um pouco menos sombrio e mais agitado. A mistura do folk com o eletrônico funcionou bem e Emma parece bastante confortável com o que interpreta. A cantora não tem lá muita experiência, porém tem uma visão interessante sobre o Eurovision e pretende trazer uma apresentação com uma parte visual bastante forte, memorável. Nota: 8/10


Günther & D’Sanz – Love yourself

Outra canção eletrônica com tom jocoso. Diferente do Club La Persé, a caracterização de Günther não é cheia de informação e de cores, porém não deixa de ser um personagem de humor. A letra não poderia ser mais clichê, falando de se amar, de ver sua beleza interior; já a melodia segue a linha dos temas de discoteca dos anos 90, algo próximo do que DJ Bobo fazia, com uma parte falada com voz bem grave e um refrão cantado. Esse tipo de proposta não deveria parecer mais em finais nacionais, pois apenas ajuda a fortalecer a ideia de que o Eurovision é um festival brega e sem credibilidade. Pelo menos, o espanhol D’Sanz canta bem. Nota: 3/10


Knucklebone Oscar & The Shangri-La Rubies – Caveman

Três canções friki em uma seletiva de dez concorrentes é um número absurdo. Não sei o que as pessoas que escolheram as finalistas estavam pensando, mas se isso está entre o melhor que eles conseguiram, tenho muito medo do futuro da Finlândia no Eurovision. Quando ouvi “Caveman”, as primeiras coisas que me passaram pela cabeça foram trilha sonora de desenho animado e o filme do Máscara. Vendo alguns vídeos de Oscar na internet, percebi como temos aqui um desperdício de talento absurdo; se ele visse com o rock potente, poderia não só ganhar, mas também chegar à final em Kiev. As The Shangri-La Rubies são dançarinas de burlesco – vocês lembram o que aconteceu da última vez que uma dançarina de burlesco pisou no palco do Eurovision? Nota: 3,5/10


Lauri Yrjölä – Helppo elämä

“Helppo elämä” fica longe de ser a melhor canção da noite, agora, a coragem de Lauri para cantar em finlandês já vale bastante. Os versos são promissores, com uma vibe meio country, então chega o refrão e a quebra de ritmo é grande, assim como a decepção. A mudança repentina de estilo pode até surpreender, mas ela não foi benéfica para o conjunto, que deveria ter se apoiado no country até o fim, ainda que os elementos eletrônicos fossem predominantes. Sobre o intérprete, Lauri é muito carismático e ganhou muitos fãs por sua postura nas redes sociais, respondendo pessoalmente os fãs e até fazendo piada com alguns comentários negativos. Se ele conseguir transmitir no palco toda essa simpatia, teremos uma boa performance no sábado, uma vez que ele tem um bom vocal. Nota: 6,5/10


My First Band – Paradise

My First Band foi a escolha do painel do programa prévio do UMK e, sinceramente, não seria uma má escolha; pelo contrário, com uma boa apresentação, eles poderia até chegar à final em Kiev, passando raspando pela semifinal. A primeira coisa que me vem à cabeça com “Paradise” é Maroon 5, principalmente pela mistura da batida pop moderninha com a grande quantidade frases cantadas em falsete espalhadas pela música. O maior problema é que o arranjo é muito enjoativo – aos dois minutos de música, já não vemos a hora dela chegar ao fim. Sobre a banda, eles já mostraram certa desenvoltura e entrosamento no palco, portanto podemos esperar um show sólido no sábado. Nota: 7,75/10


Norma John – Blackbird

Musicalmente falando, “Blackbird” é uma das propostas mais atraentes da noite. É uma prova de que é possível criar boas músicas com simplicidade, sem o uso excessivo de riffs eletrônicos e de autotune. Ela traz um forte contraste entre delicadeza da voz e do piano e o peso da letra depressiva. A forma como a melodia cresce depois do segundo refrão é excelente, com o quarteto de cordas se intensificando. Por ser muito lenta, tenho minhas dúvidas se ela funcionaria no palco do Eurovision, mas uma boa performance poderia garantir a ela pelo menos a final. Além disso, é uma canção que exige falsetes precisos e muito sentimento, tanto na voz quanto nas expressões corporais e faciais. Nota: 8,5/10


Zühlke – Perfect villain

Zühlke tem um dos timbres mais bonitos e deve ser a que tem o vocal mais potente da edição, só que seu tema fica um tanto abaixo do que ela pode oferecer. O estilo escolhido está perfeito, com esse toque soul e essa batida bem demarcada; o arranjo poderia ter sido melhor trabalhado, já que a base se mantém praticamente a mesma durante os três minutos, com a única diferença sendo a inclusão de alguns instrumentos para dar peso. Não podemos deixar de ressaltar a polêmica da letra, que diz que X-Man (que é uma marca da Marvel) perderia seus poderes com kriptonita (que é da DC) – não que vá atrapalhar de algum modo a votação ou a performance. Nota: 6,75/10


Qual é sua canção preferida do UMK?


Ranking final

  1. Norma John – Blackbird – 8,5/10
  2. Emma – Circle of light – 8/10
  3. My First Band – Paradise – 7,75/10
  4. Anni Saikku – Reach out for the sun – 7,5/10
  5. Zühlke – Perfect villain – 6,75/10
  6. Lauri Yrjölä – Helppo elämä – 6,5/10
  7. Alva – Arrows – 6/10
  8. Knucklebone Oscar & The Shangri-La Rubies – Caveman – 3,25/10
  9. Günther & D’Sanz – Love yourself – 3/10
  10. Club La Persé – My little world – 2,5/10

Quem pode vencer o UMK 2017?

My First Band e Emma

Quem corre por fora para vencer o UMK 2017?

Lauri Yrjölä e Club La Persé

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