Entrevistas

Chefe da delegação de San Marino fala sobre a votação

País teve televoto "inventado" com a nova regra

07 de junho de 2016 - por Fabiana Silva
07 06 2016

O novo método de votação do Eurovision deu o que falar. Nele, caso um resultado seja inválido, um substituto será calculado com base no resultado do público de um grupo de países pré-selecionados, aprovados pela EBU e pelo grupo de referência; ou seja, os votos são, digamos, fictícios. Assim, os países mais afetados são os que não atingem a quantidade suficiente de votos – como é o caso de San Marino. O ESCPedia conversou com Alessandro Capicchioni, que deu suas impressões sobre esse novo sistema.


P: Agora que o Eurovision acabou, qual sua opinião sobre esse novo sistema de votação? Ele é mais justo que o anterior?

R: O novo sistema de votação discrimina totalmente os pequenos países, já que não os permite dar 100% de seus votos. A mudança no sistema de votação foi decidida sem que nós tenhamos sido avisados.
Por outro lado, de um ponto de vista técnico, podemos finalmente dizer que chegamos a uma peso verdadeiramente igual entre júri e televoto. Agora é mesmo 50% para cada.
Na grande final de 2014, o televoto italiano deu 5 pontos para San Marino, mas o júri italiano nos colocou em 26º, isso é dizer últimos, então o voto final foi zero. Com o novo sistema, teríamos ganho alguns pontos de qualquer forma.

P: O televoto de San Marino foi substituído por um ‘resultado médio de um grupo representativo de resultados de televoto de outros países’ Esse foi o resultado do ‘televoto’ na final: 12 – Ucrânia; 10 – Rússia; 8 – Lituânia; 7 – Polônia; 6 – Letônia; 5 – Austrália; 4 – Suécia; 3 – Bulgária; 2 – Armênia; 1 – Hungria. Esses votos representam San Marino? Você preferiria que o voto do júri fosse duplicado ou algo do tipo?

R: Está claro que o que se chama ‘televoto nacional’ nas regras oficiais não é mais algo válido. Não faço ideia de como esses votos poderiam representar o gosto dos telespectadores de San Marino e acho que ninguém saberá até que os telespectadores de San Marino possam expressar suas preferências. Agora mesmo, estamos estudando uma proposta para melhorar essa situação miserável e iremos enviá-la à EBU. Acho que duplicar o voto de nosso júri seria totalmente errado com esse novo sistema.

serhatP: Com esse novo sistema de votação, San Marino ficou em 12º lugar, enquanto que, com o sistema antigo, vocês terminariam em 15º. Isso significa que você conseguiram o terceiro melhor resultado de sua história no Eurovision. Você acha que esse novo sistema continuará dando a vocês melhores resultados em comparação ao antigo?

R: Sério?! Não sabia disso! Acho que cada ano tem sua própria história, em 2017, esse sistema pode nos trazer desvantagens, quem sabe? Novamente, cada ano tem sua própria canção: “Grande Amore”, do Il Volo, teria ganhado todos os festivais antes de seu ano, enquanto “1944”, da Jamala, provavelmente só venceria este ano, e não só por razões musicais.

P: Como esperado, San Marino teve melhores resultados com o televoto do que com o júri. O que faltou em sua proposta para que os júris votassem por vocês?

R: Você realmente esperava isso? Tentamos colocar no palco um ato que fosse um equilíbrio entre o gosto dos jurados e dos telespectadores, não sabemos o que faltou.
Mas se você olhar a fundo para o voto do júri, você notará que um grupo de países da semifinal 1 votou exclusivamente neles mesmos, deixando os ‘outros’ países do lado direito da tabela. San Marino não fazia parte deste grupo, então as respostas para sua questão podem ser muitas e diferentes. E não estou falando artisticamente.

Kamilla IsmailovaP: Junior Eurovision também tem um novo sistema de votação – sem televoto e com dois júris diferentes (profissional e infantil). O que você acha sobre o fim do televoto? Esta é a melhor forma de escolher o vencedor nessa competição?

R: O Junior Eurovision sempre sofreu com baixa audiência e os votantes eram provavelmente tão poucos para arriscarem e manterem o sistema em andamento depois da mudança de horário para o domingo. Fico feliz se essa mudança ajudar a salvar o programa de ser cancelado. Sempre tivemos dificuldades em encontrar cantores nesta faixa etária, considerando o tamanho do país e, se nós participarmos novamente, precisaremos de um cantor estrangeiro.


A equipe do ESCPedia também tentou entrar em contato com Christer Björkman, que foi produtor da última edição do Eurovision. Não recebemos sua resposta até o fechamento dessa matéria.

Fonte: ESCPedia

Veja mais sobre:

x Close

Curta nossa página no Facebook